Brechós impulsionam tendência do desapego | Arte por Moacir Alves

Brechós impulsionam tendência do desapego

Aquelas roupas acumuladas no fundo do armário e o consumo, muitas vezes, obsessivo por novas peças, já geraram muito debate. Atualmente, muito se fala sobre o consumo consciente, principalmente, quando o assunto é moda. Os brechós muito atrelados a roupas velhas em um ambiente escuro, chegam em uma nova versão, impulsionando a sustentabilidade e o desapego. 

De acordo com o relatório do Global Fashion Agenda e The Boston Consulting Group mostrou que apenas 20% do lixo de roupas é coletado para reuso e reciclagem. Com isso, o restante vai para aterros sanitários ou é incinerado. Dessa forma, os brechós surgem como uma alternativa para uma vida mais sustentável.

Os brechós online têm se tornado uma nova tendência de consumo entre as gerações Y e Z. A pandemia foi uma das responsáveis dessa nova forma de consumo, atrelada ao fechamento de shoppings e lojas e o crescimento de e-commerces. Segundo dados da GlobalData sobre o relatório da ThredUp, empresa de capital aberto americana com foco em vendas de usados, apontou que a tendência de alta nos brechós online é de identificação. Ano passado, foi esperado 33% de crescimento das vendas online, contra 8% do varejo tradicional.

Brechós - (Jennifer M. Ramos/Getty Images)
Brechós – (Jennifer M. Ramos/Getty Images)

Além disso, de acordo com um levantamento do Sebrae feito com base em dados da Receita Federal, o comércio de itens usados no Brasil cresceu 48,58% no primeiro semestre de 2021, em relação ao mesmo período do ano anterior. Possuindo duas vias, para quem vende, as plataformas são uma fonte de renda extra e, para quem compra, uma oportunidade de renovar o guarda-roupa com peças muito mais em conta do que nas lojas tradicionais.

Conheça alguns brechós que ganharam força entre startups 

Repassa

Criado em 2015, o Repassa, brechó online, estimula que as pessoas vejam as peças que estão paradas em casa e passem para a frente. Por R$ 24,99, os clientes enviam roupas, sapatos e acessórios para a startup, que fica responsável pela higienização, venda e entrega aos futuros compradores.

Oferecendo uma renda extra, os vendedores ficam com 60% do valor da venda (o restante fica para a Repassa) e podem optar por receber o valor total ou doar parte do dinheiro para uma instituição parceira. Entre as instituições estão o Graac (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), Fundação Abrinq e a ONG Patas Dadas. Em 2020, o brechó online vendeu mais de 250 mil produtos, um crescimento de 130% em relação ao ano anterior. Além disso, foram R$ 7 milhões repassados aos clientes que venderam por meio da startup.

Tadeu Almeida, CEO do Repassa (Foto: Divulgação)
Tadeu Almeida, CEO do Repassa (Foto: Divulgação)

Ao site Startups, o empreendedor, Tadeu Almeida, disse que – “A forma como consumimos é nossa maior ferramenta de mudança. Dessa forma, o consumo direciona o que o mercado vai fazer e como as empresas vão produzir”. 

Susclo

Luciana Valente, criadora da Susclo, prega o desapego e a moda circular(foto: Thais Mesquita)
Luciana Valente, criadora da Susclo, prega o desapego e a moda circular (foto: Thais Mesquita)

A Susclo, fundada por Luciana Valente,  é uma startup que incentiva a moda consciente com a compra e venda de peças de segunda mão. Criada em 2019, além de ajudar o meio ambiente, a iniciativa levanta uma renda extra a quem desapega, pois os donos iniciais das peças recebem 40% do valor final da roupa. Já foram gerados mais de R$ 80 mil de renda extra para as mais de 800 pessoas que repassaram suas roupas à startup. 

Ao site Startups, Luciana Valente explicou que o foco é criar uma comunidade de pessoas que procuram soluções mais sustentáveis para o seu dia a dia. A startup também oferece embalagens feitas com resíduo têxtil e, se o cliente devolver a sacola, ganha um desconto na próxima compra, o que incentiva a logística reversa.

Troc

Luanna Toniolo, fundadora da Troc (Foto: Divulgação)
Luanna Toniolo, cofundadora da Troc (Foto: Divulgação)

Por fim, a Troc é uma startup de brechó fundada em Curitiba, em 2016. A empresa busca incentivar a moda circular, visando à preservação ambiental. A ideia é prolongar o ciclo de vida de um produto e otimizar a produção de recursos naturais utilizados na produção têxtil. Além disso, a marca faz uma curadoria de roupas de segunda mão. Seja roupas do dia a dia até modelos de grife para homens e mulheres de diversas idades.

A princípio, a Troc coleta as roupas na casa do cliente e faz todo o cadastro na plataforma por ele. Em apenas 10 meses, a companhia faturou R$ 1 milhão. Atualmente, são mais de 45 mil produtos em estoque. “Muita gente ainda acredita que brechós vendem roupas de defunto, peças com energia ruim e muitas marcas de uso. A gente precisa mostrar o nosso produto e quebrar esses paradigmas”, explica a cofundadora, Luanna Toniolo ao site Startups.

 

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